Santa Marofa

Devaneios, certezas e principalmente incertezas. Criado por Laura Fazoli

domingo, 30 de novembro de 2008

SALVE THIAGO!

Fui no teatro depois de muito tempo de celibato (puxa, como tenho usado essa palavra ultimamente!) teatral. Pode parecer estranho, mas, esse é um sentimento que muitas vezes atinge a classe: tenho preguiça de ir ao teatro.
Sabe por que? Porque morro de medo!
Morro de medo.
Quando abrimos um guia de lazer para pesquisar as peças em cartaz, o que vemos são sempre as mesmas pessoas fazendo os mesmos papeis, sempre os mesmos títulos apelativos e de gosto intelectual, cultural e literário duvidoso (vide mulheres que vão para Marte, ‘pretchecas’ no divã ou pobres pênis infelizes) e o que talvez seja o pior: espetáculos psedo-chocantes, ou seja, gente que acredita que um palavrão e um nu frontal podem realmente causar impacto. Gratuito. Completamente gratuito.
O que me faz lembrar que essa falta de valor implícita é paga monetariamente. E bem paga.
Sou dessas que nem sempre aceita free-pass para ir ver os amigos. Prefiro pedir o dito ‘convite amigo’ que circula na classe, que e nada mais, nada menos que pagar um valor viável, coisa de cinco ou dez reais, para o espetáculo. Infelizmente esse preço é na verdade, para a produção, inviável tantas são as dificuldades.
Bom, fato é que hoje fui ao teatro. A convite da Lú. Minha amiga cultural.
Calígula.
Aliás eu só vi o Calígula. E por motivos vários: primeiro porque o personagem escrito por Camus para ele mesmo interpretar no final da década de quarenta na Argélia mas que acabou estreando com sucesso na França, é interpretado por aquele digamos assim….’parabéns’ do Thiago Lacerda.
Acompanho a carreira do Thiago com alguma distancia. Como não sou bitolada nem neocult idiota, assisto televisão normalmente. Obvio então que tenha visto o belo rapaz de muitos metros e um rostinho incrível virar de moleque Malhação a galã da novela das oito e daí a ter tomado um rumo interessante que torna inevitável a comparação com outro bonitinho (‘bem’ bonitinho) Rodrigo Santoro. Podemos dizer que as trilhas são paralelas: um no teatro, outro no cinema.
Vi este Monumento no teatro na peça ‘O Evangelho Segundo Jesus Cristo’ e, junto com a belíssima ‘ok’ Maria Fernanda Candido arrasou e mostrou a que veio. Tem gente, como ele que dá umas ‘tacadas de sorte’ na vida. Não é novidade que Thiago fazia faculdade de administração e que se foi chamado para fazer Oficina de Atores da Globo depois de um desses ‘cursinhos’ de interpretação. Dizem que era apenas para perder a timidez.
Quando foi chamado para um teste de personagem (o da Malhação), tinha no mesmo dia uma concorrida entrevista nas etapas finais de trainee na Mastercard. Não foi. Sorte nossa.
E depois disso, abraçou a causa. Não quis ser o bonitinho da TV. Foi atrás. Batalhou e hoje pode-se dizer que seu talento é quase do tamanho de sua envergadura. Vai chegar lá. Fácil fácil.
O mesmo personagem que vi Thiago interpretando com vontade e uma energia incrível no melhor estilo ‘carregar o espetáculo’, foi feito anos atrás por Edson Celulari.
No elenco estavam nomes como a também excepcional Magali Bif que tem décadas de palco e que no programa da peça aparece como ‘atriz profissional formada pela EAD’! (Afff). No entanto só mostra que realmente é ela no segundo ato. Pelo menos no dia de hoje a Magali Biff que eu conheci em Avenida Dropsie só chegou no segundo ato, antes era outra coisa.
Infelizmente Paschoal da Conceição não chegou. Com certeza não deixaram ele vir. Qualquer outro careca poderia estar ali. Assim como os demais atores não comparecem. Em nada. Discursos verborrágicos sem intenção. Intenção zero. Declamação. De-cla-ma-ção. Esquema ‘bocejo de plateia’.
Houve ator até que nitidamente ‘perdeu’ seus adereços nas coxias e entrou atrasado no palco na cena seguinte deixando-o sem rumo e com a cabeça no mundo da lua. Mas não na de Calígula. Talvez em uma das tantas luas de Saturno.Ou é Netuno que tem nove luas? Bom sei lá… em alguma lua por aí…
Esse mesmo estava tão preocupado em ar-ti-cu-lar bem as palavras e ‘pro-je-tar’ bem a voz que senti vontade de lhe dar nota. Que nem em escola de teatro que se faz pecinha de semestre e que o professor lembra os aluninhos antes do inicio ‘lembrem de falar alto, hein! Lembrem que a vovó surda da última fileira tem que ouvir, hein’.
Nestas participações, se destaca um: Ando Camargo, que mostrou a todos o que Stanislavski já dizia: ‘Fulano de tal não é bom ator suficiente para aquele pequeno personagem’. Ando se sobressai. Sabe aproveitar o pequeno (que não é tão pequeno assim) personagem e ‘tomar para si’ a situação fugindo dos discursos retos e monotônicos (viu de onde veio a palavra ‘monótono’?) que nos causam sono como um mantra.
Quanto ao texto não há o que se dizer. Pois se não fere aos ouvidos simplesmente, cumpriu seu papel. Quanto a transmissão de sua mensagem, dependemos mais do aparelho do que da fonte. Quando esse aparelho era bom, com freqüência modulada, acontecia o teatro, quando não, era simplesmente um texto. Não adianta dar excelentes textos na mão de atores ou transmissores medíocres. Tanto Walderez de Barros como Ricardo Macchi (‘Te amo Dara’, lembra?) interpretaram textos de Glória Perez. Vai culpar o autor?
Os cenários assinados por JC Serroni são muito bonitos, mas, mal aproveitados. Transcrições em Frances (!!) ficam soltas já que a historia se passa em Roma. Indiferente quanto ao fato de o original ser neste idioma. Estamos no Brasil, o espetáculo por nenhum momento sequer faz menção à França e não são todos os espectadores que tem a referencia de autor e das origens deste.
A trilha sonora é bem elaborada. Daniel Maia que tem crescido bastante no cenário de trilhas em espetáculos tem cada vez mais acertado a mão. Fora um aparte, que, sinceramente, não acredito ter sido seu o palpite: um final ‘triunfal’ com ‘Je Ne regret des riens’ cantado provavelmente por Cássia Eller. Mais uma referencia francesa? Então porque não Piaf?
Alias, porque essa musica?
Isso sim foi brega. Ilustrativo. Desnecessário. Diminuiu o cérebro dos espectadores. (Para quem não sabe, ‘Je´ne regret des riens’ em Frances quer dizer ‘Eu não me arrependo de nada’)
Ah, só para explicar, o espetáculo é dirigido por Gabriel Villela. Entendeu?

criado por lalafazoli    18:04:21 — Arquivado em: Sem categoria

sábado, 29 de novembro de 2008

TER OU NÃO TER NAMORADO

Quem não tem namorado é alguém que tirou férias não remuneradas de si mesmo.
Namorado é a mais difícil das conquistas.
Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, gabiru, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão, é fácil.
Mas namorado, mesmo, é muito difícil. Namorado não precisa ser o mais bonito, mas ser aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteção. A proteção não precisa ser parruda, decidida; ou bandoleira basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição.
Quem não tem namorado é quem não tem amor é quem não sabe o gosto de namorar. Há quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento e dois amantes; mesmo assim pode não ter nenhum namorado.
Não tem namorado quem não sabe o gosto de chuva, cinema sessão das duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho.
Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa e quem ama sem alegria.
Não tem namorado quem faz pacto de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de durar.
Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas; de carinho escondido na hora em que passa o filme; de flor catada no muro e entregue de repente; de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar; de gargalhada quando fala junto ou descobre meia rasgada; de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário.
Não tem namorado quem não gosta de dormir agarrado, de fazer cesta abraçado, fazer compra junto.
Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor.
Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e a do amado e sai com ela para parques, fliperamas, beira - d’água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da Metro.
Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos; quem gosta sem curtir; quem curte sem aprofundar.
Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada, ou meio-dia do dia de sol em plena praia cheia de rivais.
Não tem namorado quem ama sem se dedicar; quem namora sem brincar; quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele.
Não tem namorado quem confunde solidão com ficar sozinho e em paz.
Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo.
Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilos e medos, ponha a saia mais leve, aquela de chita e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim.
Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteria.
Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido. ENLOU-CRESÇA.

PS: O texto infelizmente não é meu… É do Arthur Távola. Mas eu estou sem namorado….e prefiro ter….do que não ter….

criado por lalafazoli    17:15:34 — Arquivado em: Sem categoria

terça-feira, 18 de novembro de 2008

The question is: Who cares?

http://www.youtube.com/watch?v=QTXyXuqfBLA

criado por lalafazoli    17:14:19 — Arquivado em: Sem categoria

LAURACENTRISMO - Use com moderação

Na teoria de Mega, Lauracentrismo é acreditar que tudo gira em torno de Laura. Ana Laura. Fazoli. Nenhuma outra.
Não acho esquivo. Ou então, o que seria da vida se ela não girasse em torno de quem a faz? Sim, porque vamos combinar, se você não é protagonista da sua trajetória, quem é então? (Sabe qual é o cúmulo do cooperativismo? Ser figurante da própria vida em função do grupo! Hahaha)
Pelo menos na sua vida você tem que ser a pessoa mais importante. Ou estou errada? Um mínimo de amor próprio, né?
Lauracentrismo é ter cinco minutos e querer ir embora, é não dar voltas para dizer que está com sono e que sim, tá indo nessa e quem quiser carona que venha agora e, ao mesmo tempo topar levar o cara da Augusta para o Brooklin feliz e voltar pra casa na mesma hora que os que ficaram. Ser Lauracêntrica é dizer: ‘tem certeza?’ quando ouve uma informação equivocada (de algum ou alguma querida tendo a absoluta certeza que a pessoa está falando bobagem, porque sim, eu li) e em seguida cochichar: Que burro!
Nesta teoria bastante intensa é fator básico saber onde é a Pinacoteca, ver filmes no Cinesesc, comer temaki no Yoi! de madrugada depois da balada, dançar até cair no Astronete, surtar até cair no Kiaora e encher a cara de sorvete na Hageen Daz da Vilaboim. Os praticantes de Lauracentrismo ouvem ‘Last Night’ do Strokes aos berros no Wander Prata, cantam ‘I Try’ da Macy Gray no transito da Sumaré e sobem a rampa da garagem do prédio ouvindo ‘Rehab’ da Amy ou ‘Fly me to the moon’ de Sinatra e Tom Jobim.
Viver o Lauracentrismo é isso: é ser tudo e nem sempre ser tudo assim. É ser streight com direito a curvas, é querer perto e livre. É ser grande e ser leve.

PS; Uma das praticantes mais assíduas do Lauracentrismo, a teoria irmã e também vigorosa Rafacentrismo entrou na linha hoje direto de Madrid. Minha cuca-dura preferida, via celular, me faz ver o que nossos antepassados já sabiam: o mundo não é plano! Tanto lá como aqui as preocupações são as mesmas, as buscas são as mesmas e até as amigas são as mesmas (né Marina Schchchchcmidt!). As voltas são de 360º.

criado por lalafazoli    16:23:54 — Arquivado em: Sem categoria
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Am I a spambot? yes definately
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